sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sobre os frutos de um relacionamento - Baseado em fatos reais!

Sempre acreditei que todo relacionamento gera frutos. Não sei que fruta nasce daqueles que se desenvolvem em ambientes saudáveis, se pitangas, mamões, ou maçãs, mas descobri que, se existe uma fruta capaz de nascer de uma relação conturbada, certamente é um tomate.

Após dois anos sem tirar férias, eufórica, com um roteiro que começaria em Minas Gerais e terminaria no Rio de Janeiro, tudo teria sido perfeito se eu tivesse ficado nos programinhas de turista, praias-shoppings-museus-azaração-restaurantes-teatro.

Acontece que entre um passeio e outro, de uma azaração surgiu um namorinho e, isso não seria nenhum problema desde que ele tivesse terminado lá mesmo na cidade maravilhosa. Não foi difícil me interessar por um tipo inteligente com quem era possível falar sobre tudo, desde filmes, política, filosofia, artes, e até religião sem grandes dificuldades.

Aparentemente o interesse foi recíproco por que não nos desgrudamos mais durante minha semana no Rio. Saímos juntos, com amigos dele e meus, rimos e namoramos muito.

Encerrei minhas férias com uma sensação muito gostosa de dias bem aproveitados e, uma promessa típica dos amores de verão: “te vejo nas minhas férias”. Setembro, outubro, novembro, conversas e mais conversas no msn, ao telefone e, o óbvio aconteceu. O encanto diminuiu a ponto de eu temer e tremer com a suposta vinda dele. Joguei limpo. Afinal uma pessoa inteligente costuma entender frases simples como: “não sinto mais nada, melhor você desistir dessa idéia”. Definitivamente, comprovei minha suposição de que inteligência cognitiva e emocional, não andam necessariamente juntas.

O moço veio e, ficou oficialmente solteiro entre o aeroporto e meu apartamento. Ufa, ele não sofreu! Assim eu me sentia menos cruel.

Comemorei cedo demais, algumas pessoas demoram um pouco pra processar as coisas e, esse quando entendeu, chorou copiosamente reclamando a ausência da mãe e a distância de casa. Senti-me como um desenho animado irritado, que vai ficando vermelho, vermelho, até soltar fumaça pelo nariz. Como assim chorando e pedindo colo? Já tinha sido avisado, havia reagido bem, não desistiu da viagem por que não quis. E, por último mas, não menos importante, passamos uma semana juntos! Será que eu estaria subestimando meu poder de sedução?

Respirei fundo, tive paciência e cometi o erro de não pedir pra que ele fosse se hospedar num hotel. Não demorou muito e comecei a ouvir: não gosto de verduras, nem de azeitona e, nem, de cebola, não almoço sem feijão, não como frutas, especialmente as do panetone, não sei abrir o portão, não quero ficar sozinho, não curto essa música, nem essa, nem aquela primeira, não gostei do filme, não sei colocar o celular pra despertar, não quero isso, não gosto daquilo, não, não, não, nãaao!

Vou privar meu leitor de ouvir a narração das brigas e discussões que tivemos, seria cruel demais.

Por covardia ou humanidade, não o mandei sair do apartamento, mas coloquei-me porta a fora e me refugiei na casa dos meus pais. Claro! Pra onde mais a gente corre quando faz besteira? Pra barra da saia da mamãe.

Deixei o moço no meu apê e, me fiz de morta até ter certeza de que o vôo não havia sido cancelado e, que ele havia embarcado. Foram duas longas semanas, pois, não haviam vôos anteriores a menos que ele estivesse disposto a pagar um preço exorbitante, o que não era o caso, já que nem para um hotel ele tinha dinheiro.

Fazendo a vistoria no local percebi que, além dos meus lençóis, fronhas e toalhas estarem extremamente sujos, havia na pia da cozinha, mais precisamente sobre aquele pano que costumamos usar para enxugá-la, dois pés de tomate brotados do desleixo do meu hospede, parei por um instante tentando imaginar como alguém convive com brotos de qualquer coisa que seja, nascendo e crescendo no mesmo local onde ele apóia e lava copos e pratos e, não faz absolutamente nada a respeito, ele poderia pelo menos tê-los plantado em um vaso e colocado do lado de fora.

Minha indignação acabou quando conclui satisfeita: antes um tomate na minha pia do que um abacaxi na minha vida!

9 comentários:

Elisabeth disse...

Chorei de rir!!! AHAHAHAHAH

Elisabeth disse...

Linda, linda, linda!!

Tem talento!

Patricia disse...

Na boa... muito engraçado (mesmo imaginando a tragédia que deve ter sido).

Você tem um jeito especial de escrever e que é muito bom!

Parabéns!

Pena esse "castigo" ser carioca... minha terrinha tão cheia de gente legal...
;)
bjss

Ti disse...

Patricia, tenho certeza absoluta disso. Conheço muita gente legal de lá. Esse "causo", não me fez perder a fé nos cariocas, rs

Ana disse...

Eu já li e reli, muito bom.

TonMoura disse...

aff! é, querida, saber dizer não é uma necessidade tão importante quanto soltar pum, pode até parecer coisa feia, mas se não fizer a pressão pode se tornar pergiosa. (eu sei, eu sei, essa foi pôdi! ehehehe)

TonMoura disse...

ei, bota lá no modelo do blog aqueles botões com os links do twitter, facebook etc, assim eu espalho lá seus textos maravilhosos. Aliás eu e todos os que gostam de fazer isso!

BiaGS disse...

Minha escritora favorita!

Mab disse...

Em lembro do causo. Acompanhei os fatos.

É de rir agora, lembrando... mas foi uóóóóóóó.